quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

PRESENTE DE NATAL

Esperei ansiosamente pelo natal. Eu havia escrito uma carta para o Papai Noel pedindo um carrinho com controle remoto. Sabe daqueles carrinhos que acendem os faróis, abre as portas, andam pra frente e pra trás, giram em círculo? Era esse que eu queria. Mas esse carrinho custa caro e meu pai não tinha dinheiro para comprar. Então, fiquei sabendo do endereço do Papai Noel e escrevi uma carta para ele. Soube que ele sempre atende aos pedidos das crianças e certamente iria atender ao meu.
         Passei o dia na mais pura expectativa. Mal podia esperar por àquela noite. Finalmente iria ter o meu tão sonhado carrinho com controle remoto. Nem estava me importando de não termos ceia de natal, pois meu pai estava desempregado e o que minha mãe ganhava com seu trabalho mal pagava as das despesas da casa.
         Quando foi caindo a noite, logo após nosso humilde jantar, minha mãe disse para eu dormir cedo, pois o Papai Noel só viria quando eu já estivesse em sono profundo. Terminei minha refeição e fui para a cama fazer minha oração. Agradeci a Deus por mais um ano, pela minha saúde, pela minha família, pela minha comida, pela minha casa e disse que estava muito feliz porque sabia que o Papai Noel iria trazer meu carrinho com controle remoto.
         Eu tentava dormir, mas minha expectativa me agitava. Ficava imaginando a embalagem do presente embaixo da árvore de natal. Árvore feita de um pequeno galho de pinheiro cedido do resultado da poda da árvore do vizinho. Perdido em meus pensamentos, adormeci.
         No dia seguinte levantei antes do cantar do galo e corri para pegar meu presente embaixo da árvore. Mas quando olhei não vi nenhum pacote que se parecesse com a caixa de um carrinho. Aliás, não havia nada embaixo da árvore. Vi apenas um pacote comprido encostado ao lado. Era um embrulho de presente. Será que Papai Noel resolveu fazer alguma brincadeira comigo? - pensei – e quando abri o embrulho vejo apenas um cavalinho-de-pau, feito de cabo de vassoura e carinha de papelão. Papai Noel deve ter se enganado, minha carta extraviado ou meu endereço não encontrado! Não pude esconder minha frustração.
         - Feliz Natal! Disse meu pai com a voz embargada e os olhos cheios de lágrimas.
         - Vá brincar no quintal – ordenou minha mãe tentando contornar a situação.
         Saí arrastando cabisbaixo meu cavalinho. Fui para a rua ver os presentes que Papai Noel teria dado, quem sabe presentes não teria trocado. Vi algumas bolas, pipas, espadas. De repente sinto algo bater em meu pé: era um carrinho com controle remoto. O meu carrinho que eu havia pedido para o Papai Noel! Poderia agora desfazer o engano do pobre velhinho. Voltei a si quando ouvi uma voz fraca me dizer:
         - Me desculpe! Eu ainda não consigo manipular bem esse controle remoto.
         Olhei para trás e vi aquele meu vizinho que, por ter sido vítima de um acidente, ficou tetraplégico numa cadeira de rodas e pouco conseguia mexer os braços. Fiquei por um tempo parado olhando para o garoto e para o meu cavalinho. Então, entendi que Papai Noel não tinha se enganado, mas sim os presentes adequado.
         Voltei correndo para casa, saltitante em meu cavalinho, feliz por aquela atitude do bom velhinho. Abracei meu pai e agradeci por ter me dado de presente de natal apenas um cavalinho-de-pau.

         “Muitas vezes nos frustramos por não conseguirmos o que esperamos da vida. Mas se algumas situações não acontecem é porque simplesmente elas não estarão extraindo de nós o máximo do nosso potencial.”

Má Antunes, 20/09/2010.

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