quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

AÇÃO E REAÇÃO



Por que mentes? Descarad’ ordinário
Se tu’alma t’entrega, te delata
Mostrando ao mundo um coração de lata
Mantendo assim semblante refratário?

De meninas furta sonhos primários
Subir no altar, vestir o véu de prata
Que ingênua e obedinete a espera acata
Viver um lindo amor imaginário

Mas mentira verdade se transforma
Qu’a nenhuma mulher a lábia encanta
Desmascarando c’ honra tua feita

Pois há justiça, isso me conforma
Nesta vida se colhe o que se planta
Fruto amargo terá tua colheita

Má Antunes, 21/03/2011.

CINTILANTE



O brilho das estrelas
não passam de meros reflexos
que resplandecem das lágrimas
derramadas pela lua
por invejar
o brilho dos teus olhos.”

Má Antunes, 12/01/2012


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

INJÚRIA



Hoje, lembrei-me daquele dia
Em que no altar pra mim olhavas
Em minhas mãos tu seguravas
E um grande amor me prometia

E eu, pura, inocente, sorria
De véu e grinalda vestida
Nas mãos, buquê de margaridas
Jurei que por você morreria

Juntos viverão em harmonia
Esta mulher farás contente
Serás fiel eternamente,
Rezava o padre na homilia

Ah! Como eu não sabia
Que falsa promessa tu juravas
Quão grande dor que me esperava
Quão curta era minha alegria

Houve muita festa e cantoria
Fartura de bebida e comilança
Parecíamos duas crianças
Dançamos até raiar o dia

Tentando disfarçar sua agonia
Tomou-me nos braços de mansinho
Em núpcias, conduziu-me com carinho
Amou-me com grande euforia

Após momentos de magia
Que com suavidade me tocou
E em mulher me transformou
Nos braços teus eu adormecia

Ao acordar, chorei em histeria
Ao ler o bilhete sobre a cama
Lançando meu nome na lama
Apenas minha pureza tu querias

Má Antunes, 31/10/2011.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

DESENCANTOS



E o que era fantasia
Congelou,
Em solidão de guerra fria
O encanto se quebrou,
Morbidez do dia a dia
Num instante aquietou,
Feito mar em calmaria
Em partículas dispersou,
Como pó em ventania
Quebrou algemas, libertou,
Um escravo em alforria
Num passado transformou
Uma lembrança, nostalgia
Riu de mim, até zombou
Um destino em ironia
Sofrimento em mim lançou
Coração em agonia
Um diálogo cessou
Só silêncio, afasia
Sem abrigo me deixou
Implorando moradia
E agora aqui estou
Sem a tua companhia

Má Antunes, 19/12/2011

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

DISTRAÇÃO



Dormi no ponto
Perdi o trem
Quem sabe volte amanhã
Pra me libertar do amor
Do qual me faz refém

Má antunes, 13/12/2011

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

CARDIOPATIA




Entre dois átrios e dois ventrículos
Pulsa seu nome
Preso entre uma isquemia
E um prolapso da válvula mitral

Má Antunes, 12/12/2011

CORAÇÃO PAULISTANO

Homenagem aos 120 anos da Avenida Paulista

Avenida Paulista, um universo de diversidade étnica, estética, ecológica, arquitetônica e cultural. Andar por suas ruas por um minuto é ter a sensação de ter dado a volta ao mundo. Um universo quase paralelo, onde o imaginário torna-se real.
És a mais paulista das paulistas. Teus canteiros tem mais flores, tuas ruas tem mais vida e por você são muitos amores.
Quem tem coração paulistano palpita ao pisar no seu chão. 
Quem tem coração paulistano sente o amor da mãe que a todos acolhe com seus braços fraternos.
Quem tem coração paulistano suplica seu colo e suga em teu seio o alimento que mantém essa raça.
Quem tem coração paulistano te pede a bênção todas as noites para ter a certeza de mais um dia.
Quem tem coração paulistano ouve o cantar dos sabiás e bem-te-vis que natureza se incumbe de selecionar para manter seus encantos.
Quem tem coração paulistano vê a beleza que a maturidade lhe conferiu te transformando em um dos mais significativos postais. 
Quem tem coração paulistano ainda sente o cheiro dos cafezais .
Quem tem coração paulistano sente em teu plano a sabedoria acumulada por tantos anos de história.
Quem tem coração paulistano sabe do maravilhoso sabor de ser parte integrante desse cenário que por muitas vezes sediou inesquecíveis momentos.
És o símbolo desta cidade que te pertence. 
Avenida Paulista, quem te conhece não esquece jamais. 

Má Antunes